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Edição: Sábado, 13 de setembro de 2014


Atualizado em 19/02/2010

Osasco completa 48 anos de emancipação


Antigo bairro da Capital se transformou na 14ª cidade mais rica do Estado de São Paulo e que, agora, prepara o seu cinquentenário

Da redação
(cotidiano@webdiario.com.br)

Osasco foi emancipada, oficialmente, em 19 de fevereiro de 1962. Mas o caminho entre a então vila da Capital e a cidade começou a ser traçado muito tempo antes.

A cidade já surgiu como parte da rota dos bandeirantes que desbravavam o Estado. Registros históricos indicam a existência de povoamento nessa área desde o século XVII quando, em 1634, as terras do bairro de Quitaúna pertenciam ao bandeirante Antônio Raposo Tavares.

Durante o século XIX, além desses sítios, também eram ocupados a Fazenda Jaraguá, que pertencia ao general França Horta e onde se minerava ouro, e a aldeia de pescadores que ficava às margens do Tietê, mais conhecida hoje como Vila dos Remédios.

Foi no final do século XIX, o imigrante italiano Antônio Agu adquiriu algumas glebas de terra nessa região. Empreendedor, ele iniciou no local a produção de tijolos, em uma pequena olaria. E, para trabalhar no local, chegaram as primeiras famílias de trabalhadores, a maioria também vinda de outros países. Eles foram se instalado às margens da estrada de ferro, que já cortava a região, e que em 1895 ganhou uma estação, construída por Antônio Agu e doada à empresa ferroviária. Seu único pedido foi chamá-la de Estação de Osasco, uma homenagem a sua cidade natal, na Itália.

Na década seguinte, Antônio Agu arrendou sua olaria ao barão Evaristhe Sensaud de Lavaud, que se associou aos franceses Joseph Levy, Hermann Levy e Artur Kalm, criando a fábrica de tubos e Cerâmica Sensaud de Lavaud & Cia.

Paralelamente, em sociedade com Henrique Dell'Acqua, Agu instalou uma fábrica de tecidos. Em seguida, em 1892, implantou uma indústria de cartonagem em sociedade com Narciso Sturlini. E, em 1908, Sturlini se associou a Nicolau Matarazzo e foi criada a Sturlini & Matarazzo, primeira fábrica de papelão da América Latina, que passou a ser conhecida como “Cartieira”.

Mas Osasco também se desenvolvia em outras regiões. O ferreiro Manoel José Rodrigues adquiriu terras entre o rio Tietê e a linha Sorocabana, criando o bairro do Maneco, atual Bonfim.
Em 1915, foi a vez da implantação da Continental Products Company, frigorífico no bairro de Presidente Altino e que, em 1934, passou a chamar-se Frigorífico Wilson.

Em 1918, Osasco, até então uma vila, foi elevada à condição de distrito de São Paulo. E, em 1922, ganhou um serviço de balsa para travessia do Tietê. Neste mesmo ano, o exército brasileiro instalou uma unidade militar na região onde se localizava o antigo sítio de Antônio Raposo Tavares, promovendo a ocupação da área onde hoje é o bairro de Quitaúna.

Em 1923, chega a luz elétrica. E, no ano seguinte, é inaugurado o primeiro cemitério da cidade.



Crescimento

A economia ganha novo impulso em 1929, com a instalação da Fábrica de Fósforos Granada e a oficina da Soma (Cia Sorocabana de Material Ferroviário). E, em 1930, a Hervy passa a produzir louça sanitária, sendo pioneira na fabricação desse material na América Latina.

Em 29 de março de 1931 foi inaugurada a Igreja Matriz de Santo Antônio de Osasco, hoje Catedral de Santo Antônio.

A rede de transporte, nessa mesma época, contava com 3 estações ferroviárias (Presidente Altino, Osasco e Quitaúna) e linhas de ônibus que faziam a ligação Osasco – Pinheiros. E a região da atual Avenida dos Autonomistas já contava com moradias.

Nas décadas de 40 e 50, chegaram à região empresas de grande porte, sobretudo as de metalurgia pesada: em 1940, a Eternit; em 1944, a Cobrasma; em 1946, a CIMAF; em 1950, o Moinho Santista; em 1951, Lonaflex; e em 1952, a Benzenex. Em 1953 foi fundada a Cidade de Deus, matriz z do Bradesco e a Rilsan. Em 1955, veio a Osram; em 1957, a Braseixos Rockewell, Brown Boveri e Ford do Brasil e ainda em 1960, a White Martins.

Com esse crescimento, em 1944 Osasco passou de zona distrital para subdistrito da cidade de São Paulo. Mas os problemas se acumulavam: faltavam serviços básicos, como transporte, hospitais e escolas para a população que crescia.



Luta pela emancipação

Foi então que surgiu a Sado (Sociedade Amigos do Distrito de Osasco), que em 29 de julho elegeu sua primeira diretoria, tendo à frente o dentista Reynaldo de Oliveira. O grupo tinha como objetivo reivindicar da Capital melhores condições para o bairro.

Nessa luta, surgiu o movimento emancipacionista. E, em 1952, ele se tornou mais atuante, inclusive com a vinda de deputados ao então distrito para falar sobre a questão da emancipação.
Em 1953, foi marcada uma consulta popular sobre o tema, na qual a população deveria votar no “sim” ou no “não” à emancipação. E o “não” venceu.

O movimento emancipacionista começou, então, a analisar as causas da derrota. E sofreu outro duro golpe, com as promessas, pelo então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, de uma linha de ônibus até São Paulo e da construção de um Mercado Municipal, acalmando os mais insatisfeitos e fazendo cair a adesão ao “sim”.

Passaram-se então 5 anos até que a luta fosse retomada. Pelas leis da época, para haver plebiscito era necessário que pelo menos um terço dos eleitores de Osasco se inscrevessem até o dia 30 de abril. A meta foi alcançada e votação foi marcada para 21 de dezembro do mesmo ano.
No resultado final, dos 24 mil eleitores de Osasco, 8 mil votaram e o “sim” ganhou com diferença de 1300 votos. Mas a votação aconteceu cercada de polêmicas. Dentre as denúncias, moradores de outros distritos teriam votaram em Osasco, o que era proibido por lei. E até eleitores falecidos tiveram votos registrados.

Com isso, vieram os entraves judiciais. O então prefeito de São Paulo, Adhemar de Barros, conseguiu um mandado de segurança contra as primeiras eleições municipais, que já contavam com 269 candidatos a vereador, 6 a prefeito e 7 a vice-prefeito.

Após muita briga, a disputa foi marcada para 7 de janeiro de 1962, pelo Tribunal Regional Eleitoral. Mas um dia antes o prefeito da Capital conseguiu um mandado no Supremo Tribunal Federal. Os osasquenses fizeram então uma marcha até São Paulo para reivindicar o direito de votar. Uma bandeira negra também foi hasteada no Largo da Estação e, nos dias seguintes, o movimento chegou a parar o vale do Anhangabaú. Os manifestantes foram ainda à Assembléia Legislativa e decidiram seguir até o Palácio, mas foram barrados pelo Pelotão de Choque. Apenas dois representantes foram recebidos pelo governador, virando até notícia no jornal Times, de Londres. Outra forma de protesto dos autonomistas foi colocar urnas espalhadas pelo centro para que os eleitores devolvessem os seus títulos ao Tribunal Eleitoral.

As eleições finalmente ocorreram e Hirant Sanazar foi eleito o primeiro prefeito de Osasco, em 4 fevereiro de 1963. Ele obteve 9823 votos, dos 23283 votos válidos. Em 7 de fevereiro ocorreu sua diplomação, junto com os vereadores eleitos, e no dia 19 de fevereiro, aconteceu sua posse, fato que tornou Osasco oficialmente uma cidade.



Depois da emancipação, uma mudança no perfil econômico

Da emancipação até os anos 70, Osasco foi um forte pólo de atração de mão-de-obra. Já os anos 80 caracterizaram-se pelas crises econômicas, diminuição do ritmo industrial e pela saída de várias empresas de grande porte. Nos anos 90, veio a mudança do perfil sócio-econômico, com a chegada dos “gigantes” do setor de serviços, como shoppings (Osasco Plaza e Super Shopping) e redes de varejo (Wal-Mart, Carrefour, C&C, Telha Norte, Pão de Açúcar, entre outros). E, já nos anos 2000, houve um novo ciclo de industrialização, cujo símbolo máximo foi a reabertura da antiga planta da Cobrasma, uma das maiores metalúrgicas do País e que voltou a funcionar sob o comando do grupo Amsted-Maxion.

Apesar do seu fechamento da Amsted Maxion, em 2009, a cidade continua atraindo tanto indústrias como novos comércios e serviços. Prova disso foi a mudança da Rede TV para a cidade, há dois anos.


Fontes: sites da Prefeitura de Osasco, Câmara Municipal de Osasco e Jornal Diário da Região e ainda informações do Museu Municipal e do acervo do Unifieo



Fatos históricos colocaram Osasco
em destaque no Brasil e no mundo


A cidade de Osasco tem fatos registrados nas páginas da história do Brasil e do mundo. Em janeiro de 1910, por exemplo, Dimitri Sensaud de Lavaud realizou aqui primeiro vôo da América Latina. Após construir seu próprio avião, com ajuda dos funcionários da empresa de seu pai, o barão Evaristhe Sensaud de Lavaud, ele decolou da rampa construída ao lado da casa da família (o chalé Brícola, hoje Museu Municipal, na avenida dos Autonomistas) e voou 103 metros sobre a atual avenida João Batista.

Outro momento importante da história de Osasco foi a chamada Greve da Cobrasma, em julho de 1968. Em pelo regime militar, cerca de 12 mil trabalhadores de Osasco, impulsionados pelos operários da Cobrasma (os primeiros a cruzar os braços) desafiaram o autoritarismo e paralisaram as atividades das principais empresas da cidade, dentre elas a Fósforo Granada, Cobrasma, Lonaflex, Barreto e Keller.

O movimento, que contou com a organização de sindicatos, estudantes e grupos contra a ditadura militar, deu início a uma série de manifestações semelhantes, em todo o País, contra a ditadura.





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