Guilherme Lisboa
(politica@webdiario.com.br)
O deputado federal e candidato à reeleição Paulo Maluf (PP) afirmou ontem, durante visita ao Diário da Região, que não pretende encerrar sua carreira política após um eventual novo mandato na Câmara Federal e que, se tiver o apoio dos eleitores, estará novamente na disputa em 2014. “Só Deus é quem vai me tirar da política, e os eleitores”, destacou o parlamentar, que foi recebido em almoço promovido pelo Diário e concedeu entrevista coletiva aos órgãos de imprensa da região.
Maluf destacou as realizações de sua gestão no governo do Estado (1979-1982), sobretudo as benfeitorias destinadas a Osasco, como a construção do acesso à rodovia Castelo Branco pela avenida Henry Ford e o envio de verbas para a duplicação da avenida dos Autonomistas. “Eu estou em campanha pela reeleição desde que comecei a minha vida pública, há 43 anos. Todos os dias, eu respiro as necessidades das pessoas, a necessidade de emprego, de segurança”, afirmou.
Quanto ao atual mandato, o parlamentar disse que não pertence à base de apoio do governo federal, mas à “base do Brasil”, pois votou a favor apenas dos projetos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os quais concordou. “Aquilo que achei que não era bom, votei de maneira independente, porque eu não preciso do Lula para ser eleito em São Paulo”, disparou. Dentre as propostas que rejeitou, ele citou a renovação da CPMF, popularmente conhecida como imposto do cheque.
O deputado defendeu mais atenção à saúde pública, à educação e ao combate à violência, e afirmou que não tem receio de discutir temas polêmicos. “Sou polêmico porque falo o que penso. Não faço questão de agradar, e sim que as pessoas saibam as minhas ideias e propostas”, frisou. Dentre as ideias que defende, Maluf falou sobre a criação de uma tropa de elite, formada por soldados qualificados da Polícia Militar, destinada a fazer ronda noturna ostensiva em combate à criminalidade.
Estatuto da Criança
Para a eventual nova legislatura, o deputado pretende pedir ao governo para ser o relator do novo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que será enviado ao Congresso por Lula com o objetivo de incluir no texto a proibição de palmadas e demais castigos corporais às crianças.
Maluf quer apresentar um substitutivo ao Estatuto visando a conceder aos juízes a prerrogativa de estipular qual o tempo de medida sócio-educativa deve ser aplicado aos menores infratores, de acordo com cada caso. “O juiz vai determinar se o menor fica 3, 5, 10 ou 15 anos, e se tem condição de ser ressocializado ou tem que ficar na cadeia”, explicou.
O deputado citou o exemplo do assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, de Santo André, e o suposto envolvimento de um menor que confessou o crime. Maluf cogitou que o jovem pode “ser laranja ou ter sido alugado”, mas, de toda forma, passará pela Febem (atual Fundação Casa) como os demais menores e, depois, sairá “pós-graduado para outros crimes”.
O parlamentar também lembrou do estupro, tortura e assassinato do casal Liana Friedenbach e Felipe Caffé pelo menor conhecido como Champinha, em 2003, em Embu-Guaçu. Segundo Maluf, hoje o jovem é mantido em uma casa alugada pelo governo do Estado, onde recebe atendimento médico, odontológico e psicológico. “Ele deve custar R$ 100 mil por mês ao Estado. Eu pergunto: e quanto ao garoto honesto, decente, que estuda à noite numa escola do Estado?”, criticou.
Apesar do problema, o parlamentar é contrário à redução da maioridade penal no país, discussão que considerou como “amorfa”. “Não é a redução da maioridade [que resolve a questão], pois isso é constitucional, mas é a decisão do juiz”, argumentou, em defesa ao substitutivo que pretende apresentar.
“A ficha mais limpa”
Quanto ao registro de sua candidatura e às notícias de que poderia ser barrado pela Lei Ficha Limpa, o deputado disse que ajudou a aprová-la e que não se enquadra nos critérios de impedimento previstos na legislação, já que não possui nenhuma condenação penal.
“A agressão que se faz contra mim é por motivos, eu diria, insignificantes e até torpes. O que eu posso dizer é o seguinte: ninguém construiu mais escolas que eu, ninguém construiu mais hospitais e deu saúde de mais qualidade, ninguém deu melhor merenda escolar”, insistiu. Ele disse que existem dois tipos de político: os que fazem e os que não sabem fazer e, por isso, apenas criticam. “Essa é a diferença: eles me agridem; eu trabalho”, frisou.
Deputado diz que não disputará a
prefeitura de São Paulo em 2012
Sob o argumento de que é preciso renovar os quadros do PP, Maluf afirmou que não pretende disputar novamente o cargo de prefeito da Capital, na eleição de 2012. “Justamente estou apoiando o Celso Russomano porque precisa de sangue novo [no partido]”, ponderou, referindo-se ao deputado federal e candidato a governador pela sigla.
Para ele, o candidato não será prejudicado pelo pouco tempo de TV, pois já é bastante conhecido do eleitorado, sobretudo por sua atuação, há 20 anos, na defesa dos direitos do consumidor. “Sem que ninguém soubesse que ele era candidato a governador, no primeiro [levantamento do Instituto] DataFolha, ele saiu com 10 pontos”, destacou.
Maluf também defende
Morumbi para a Copa
Fábio Mambro
(politica@webdiario.com.br)
O parlamentar também falou sobre a participação do Estado na Copa do Mundo que será realizada no Brasil, em 2014, e defendeu que o Morumbi seja palco da abertura dos jogos. “Eu acho que é uma estupidez você tirar o Morumbi fora da disputa. Acho que o Morumbi é o melhor lugar para a abertura da Copa do Mundo, para levar São Paulo, pela televisão, rádio e jornais para o mundo inteiro”, disse. Para ele, a reforma do local deve custar 6 ou 7 vezes mais barato que a construção de um novo estádio. “Nós não temos dinheiro sobrando para gastar R$ 1 bilhão para uma abertura, isso é uma loucura”, criticou.
Após reunião realizada esta semana entre o governador de São Paulo Alberto Goldman, o presidente da CBF Ricardo Teixeira e o prefeito e São Paulo Gilberto Kassab, não se chegou a nenhuma conclusão sobre o local de abertura.
Outra polêmica envolvendo os estádios da Copa diz respeito à utilização de verbas públicas na construção ou reforma das praças esportivas. No caso específico do estádio do Morumbi, Maluf se diz a favor da ajuda estatal. “No Morumbi, como é coisa pequena, acho que pode uma verba pública ajudar o São Paulo. Até porque o São Paulo, quando construiu o Morumbi, não pediu nada para o Estado, construiu com verbas próprias”, afirmou. Para o deputado, a ajuda seria positivamente revertida pela repercussão pública que teria a realização e transmissão do evento no Estado.