Guilherme Lisboa
(politica@webdiario.com.br)
O candidato a governador Aloizio Mercadante (PT) falou, nesta quinta-feira, em entrevista exclusiva ao Diário da Região, sobre suas propostas para a melhoria da qualidade do ensino público no Estado, durante visita à sede do jornal. Palco há duas semanas do lançamento da campanha do petista, Osasco foi visitada por ele novamente, desta vez para a inauguração do comitê majoritário do PT, localizado na avenida dos Autonomistas, na antiga loja da concessionária de veículos Ricavel, ao lado do Teatro Municipal.
O senador explicou, em sua visita ao Diário, antes de inaugurar o comitê, suas principais ideias para cada setor e, além disso, fez uma avaliação sobre o andamento de sua campanha. Segundo ele, a Educação será a grande prioridade em seu governo, pois hoje existe “um apartheid entre as escolas privadas e as públicas”. O petista frisou que é inadmissível o aluno da rede pública concluir o Ensino Fundamental sem saber ler e escrever, ou terminar o Ensino Médio com defasagem de 3 anos, como ocorre atualmente. “Isso é uma coisa que a gente não pode aceitar. A Educação tem que dar um salto e rápido”, destacou.
Durante a visita ao jornal, o candidato recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou que ele lançaria no dia seguinte (sexta-feira), no município de Garanhuns, em Pernambuco, o novo programa do governo federal para a entrega de laptops a todos os alunos da rede pública de 300 cidades. Mercadante contou que a ideia foi concebida por ele e apresentada ao Senado em projeto de Lei, já aprovado por unanimidade, mas hoje “travado” pela oposição na Câmara Federal.
“Tenho lutado há uns 3 anos para implantar no Brasil essa ideia, que será prioridade para mim em São Paulo”, disse. Seu projeto prevê a liberação de R$ 1 bilhão do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), anualmente, para compra de computadores com banda larga para docentes e alunos da rede pública. Para ele, é possível “mudar a história da Educação no Brasil muito mais rápido” ao promover a inclusão digital. “Se esses jovens não dominarem a Internet e não tiverem chance de fazer uma pesquisa na rede, eles não vão ter chance no século XXI”, ponderou.
Mercadante disse que, se for eleito governador, pretende começar o projeto pelos professores, com a entrega de um laptop para cada um dos 230 mil docentes da rede pública de ensino. O governo lançaria um portal na Internet com sugestões de aulas e exercícios, para dar sustentação pedagógica aos professores. “Essa modernização tecnológica, que está no sistema financeiro e na indústria, tem que chegar também ao serviço público, à Educação”, defendeu.
Ainda para o setor, o petista propôs a adoção do sistema de cartão, existente na cidade do Rio de Janeiro, com o qual os alunos registram sua presença na aula. “Se o aluno não estiver presente, o pai recebe imediatamente um SMS [mensagem de celular]. Isso vai aumentar o controle e a aproximação da família com a escola”, argumentou. Além disso, o crédito de passe escolar seria concedido somente aos alunos que comparecem à aula.
Apoio inédito
O candidato também falou sobre a ampla coligação e o apoio inédito que conquistou para a disputa deste ano. Além dos 11 partidos que integram sua chapa, na maior aliança já formada pela oposição no Estado, o petista também conta com a adesão das 6 centrais sindicais de São Paulo, outra situação inusitada. “Isso tudo mostra a amplitude de nossa campanha”, avaliou.
Mas Mercadante disse que seu maior trunfo será o “entusiasmo da militância”, que ele compara apenas ao das campanhas presidenciais de 1989 e 2002. “O grande patrimônio da nossa campanha é a militância. Sem ela, a gente teria dificuldade de enfrentar uma máquina de governo que está aí há 16 anos”, enfatizou, em referência ao PSDB.
Para ele, os militantes se engajaram na campanha porque estão orgulhosos com o governo Lula, em função do crescimento econômico e da melhora de vida da população. “Tiramos 25 milhões de pessoas da pobreza e outras 30 milhões entraram na classe média. Essa distribuição de renda gerou um mercado interno muito forte”, explicou. Com isso, a principal aposta do senador é que o eleitorado confie o voto nele com a expectativa de que o petista implante no Estado o modelo bem sucedido de gestão do presidente Lula.
Dissidentes
Mercadante também comentou a adesão que tem recebido de dissidentes de partidos pertencentes às coligações adversárias.
Segundo ele, 28 prefeitos paulistas do PMDB confirmaram apoio a ele, no último fim de semana, durante encontro realizado com a presidenciável Dilma Rousseff (PT) e seu vice Michel Temer (PMDB). Ele citou ainda o prefeito de Jaguariúna, Gustavo Reis, do PPS, que integra a equipe de coordenação da sua campanha, além de outros nomes da sigla e do DEM. (colaboraram Vanessa Dainesi e Amauri Moura)
Mercadante – candidato petista ao Estado participou da inauguração do comitê majoritário do PT em Osasco