Guilherme Lisboa
(politica@webdiario.com.br)
O candidato a governador Aloizio Mercadante (PT) propôs, em entrevista exclusiva ao Diário da Região, uma mudança radical no modelo de atuação da Sabesp, por meio da reestruturação completa do método de trabalho da companhia, do estreitamento da parceria com as prefeituras paulistas e da recuperação do “caráter público” da concessionária.
“Depois da privatização e de ter virado empresa de capital aberto, acho que a preocupação da Sabesp é muito mais com a rentabilidade dos acionistas do que com a resposta aos interesses públicos”, avaliou o senador, durante visita ao Diário da Região, na última quinta-feira. Mercadante falou que sua primeira atitude em relação à empresa, se for eleito, será adotar medidas eficazes para acabar com o desperdício de água. Hoje, as redes de distribuição da Sabesp provocam a perda de 25,8% da água destinada ao consumo da população da região, índice que chega a 27% em Osasco.
O petista também disse que pretende priorizar os investimentos em saneamento, em parceria com a possível futura presidenta da República Dilma Rousseff (PT), e através da 2ª etapa do Programa de Aceleração do Crescimento. “No PAC 2, a macrodrenagem é prioridade. É um investimento que não aparece politicamente, mas é muito estratégico. A Dilma tem visão de infraestrutura e vai dar muita prioridade a isso”, ponderou.
O tema do saneamento deve ganhar destaque na campanha do candidato, ao lado do problema da proliferação dos pedágios sob a gestão do ex-governador José Serra (PSDB). Responsável pela elaboração do programa de governo de Mercadante, o prefeito de Osasco e coordenador-geral da campanha, Emidio de Souza (PT), acompanhou o candidato durante a visita ao Diário da Região. Emidio encabeça a Frente de Prefeitos da Região Oeste, criada no final do ano passado com o objetivo de pressionar a Sabesp e fiscalizar as obras executadas pela companhia. O grupo foi constituído após o desencadeamento de uma onda de críticas e manifestações contra a empresa, motivadas pelas deficiências na qualidade dos serviços prestados e pela quase-ausência de cobertura e de coleta de esgoto, sobretudo na região de Osasco.
Mercadante também apresentou suas propostas para a área dos transportes. Ele disse que pretende retomar a política de corredores de ônibus, adotada por Marta Suplicy (PT) quando ela foi prefeita da Capital, além de ampliar o sistema de trens e metrô. Segundo ele, é possível dobrar a capacidade da CPTM em dois anos e melhorar a qualidade do serviço, hoje precário em diversos ramais.
O candidato já traçou um plano de ampliação do Metrô, com o compromisso de atingir 100 km ao término do mandato, caso seja eleito. Hoje o Estado conta apenas com 70 km, mas o plano do petista contém estudos para a construção de mais 20 km, incluindo um ramal na zona Leste da Capital. O senador confrontou a morosidade da expansão do metrô em São Paulo com o caso da Cidade do México, que também iniciou a construção na década de 1970 e, apesar de ser mais pobre, possui 200 km de metrô. (colaboraram Vanessa Dainesi e Amauri Moura)