Segunda-Feira, 14 de Outubro de 2019

Política


13/06/2019 - 00:00 - Atualizado em 13/06/2019 - 00:00

João Paulo confirma candidatura do PT para prefeito e faz análise do cenário político em Osasco

Para o ex-deputado federal, Osasco tem três pilares fortes para as próximas eleições: a máquina (Rogério Lins), o candidato do PT ainda não definido, e o vereador Lindoso. Mas ele não descarta o surgimento de algum fenômeno eleitoral. Em entrevista exclusiva ao Diário, João Paulo também fala sobre o futuro do partido. Confira:
Por Da redação / politica@webdiario.com.br
Osasco



Em recente entrevista, o ex-presidente Lula afirmou: “quem disse que o PT morreu, falou besteira”. Na opinião do senhor, como está o PT hoje aqui na região?

Eu também acho que quem falou que o PT tinha morrido, errou. O PT continua vivo. Mas muito mais que o PT, acho que valores que o PT professa ou professou, durante toda sua vida, são perenes. Mesmo que o PT acabe e todos nós morramos, alguém vai continuar levando, porque são valores da humanidade. Ou seja, o valor da fraternidade, da solidariedade, da igualdade, da liberdade. São valores que há séculos continuam sobrevivendo e sobreviverão por outras mãos. Então, eu acho que o sonho do PT, as ideias do PT, estão vivos e aparentemente vão continuar vivos por muito tempo.
 
 
Como vencer o antipetismo?
Não é fácil, porque tem uma campanha muito forte, muito grande, contra o PT. E vai demandar tempo para você conseguir refazer a história do partido. Mas a minha impressão é que o PT – eu não tenho estado muito mais lá dentro, não sou dirigente, não convivo mais cotidianamente – precisa primeiro fazer uma renovação de seus quadros. A segunda coisa é fazer um novo programa para o Brasil, social.  E a terceira coisa é fazer uma nova avaliação da estrutura econômica e social do mundo moderno, que já não configura mais do jeito que o PT originalmente imaginava, ou seja, não temos mais grandes parques fabris, com aquelas linhas grandes de produção, milhares de trabalhadores em um lugar só. Hoje, a relação capital e trabalho é mediada por uma série de outras formas, que o PT precisa incorporar à sua análise. E valores também. Porque precisa reafirmar seus valores para um novo período. Estamos no século 21. Precisamos refazer isso. Sou otimista porque em alguns cantos do mundo essas coisas que estou falando estão sendo valorizadas. Estão sendo debatidas. Vamos pegar, por exemplo, os Estados Unidos. O principal político norte-americano hoje, tirando o Trump, é o Bernie Sanders, que é um senhorzinho já de 77 anos, com uma visão socialista e que anda pelos Estados Unidos atraindo os jovens. E ele fala coisas importantes. Fala de igualdade, fala que não pode ter racismo, que a homofobia é um crime muito ruim para a humanidade. A principal deputada norte-americana hoje é uma latina, Alexandria Ocasio, que é a que tem a maior rede social americana e que fala também de socialismo. Além disso, uma das deputadas mais votadas no Parlamento Europeu é uma que fala do clima.  Esse é um tema tão distante e, no entanto, atrai votos. Os verdes cresceram muito. Os socialistas cresceram bastante. No Parlamento Europeu hoje, as duas formas que mais cresceram foram as de esquerda e as de direita. O centro perdeu muito. Estou dizendo isso para mostrar que é possível o PT se reinventar, recuperar o seu tamanho, seu prestígio e a sua força. Por força das circunstâncias de seus adversários. Mas ele tem também que impor um ritmo diferenciado para sua vida.
 
 
E como trabalhar com esse crescimento da direita, como foi visto nas últimas eleições não só no Brasil?
Isso é fato. No Brasil e no mundo as forças que mais crescem são a direita e a esquerda. Modestamente, o que eu faço de reflexão é que as pessoas não querem mais o meio termo. Ou você busca justiça social ou você vai fazer com que os capitalistas fiquem cada vez mais fortes. Não tem um meio termo. Eu acho que as pessoas estão optando pelas duas pontas. Mas nesse momento. Também não significa que vai ser para sempre. Acho que há um fenômeno e a gente precisa compreender. No Brasil, esse fenômeno já é visível. Essas movimentações de rua, tanto da esquerda quanto da direita, a gente tem que se acostumar, porque teremos outras e outras. Esses dois setores estão mobilizados e vão levar gente para rua. Vamos ter que nos acostumar com isso.

 
A eleição de 2020 pode ser a ressurreição do PT em Osasco?
Não sei se vai ser a ressurreição, mas certamente o PT, não só em Osasco, mas no geral, vai melhorar sua performance em relação a 2016. Talvez não recupere o que foi 2008, 2012. Acho que não... ainda. Mas melhor que 2016, certamente. Vamos eleger mais vereadores, mais prefeitos, não só na região, mas no Brasil inteiro. Então, vai ter um balanço um pouco mais positivo. Aqui na região, acho que o PT vai recuperar, vai melhorar muito a performance. Ganhar algumas prefeituras e eleger muito mais vereadores.
 
 
Essa melhoria passa por sua reaproximação com o deputado estadual Emidio de Souza?
Fui convidado por vários companheiros do PT para fazer um processo de reflexão sobre a cidade de Osasco. Então, tenho emitido minha opinião sobre Osasco. Naquilo que o PT quiser usar essa opinião para sua estratégia, muito bem. E nesse grupo de avaliação, o companheiro Emidio está presente também. Porque foi prefeito duas vezes, é deputado estadual, é tesoureiro nacional do PT, é advogado do Lula. Ele tem importância. Tem que estar presente. Estamos partindo do princípio de que Osasco precisa de um bom diagnóstico para preparar um bom programa, fazer, uma política de alianças boa  e fazer uma campanha já nos moldes daquilo que eu estou falando, do PT reinventado. Não vai ser mais o PT tradicional. Vai ser um PT moderno, que possa mostrar para o Osasco que uma administração do novo PT pode ser melhor para a cidade.
 
 
A divulgação da foto de várias lideranças do PT de Osasco almoçando juntas – incluindo o senhor e o deputado Emidio – foi um recado para alguém?
Não... Mas mesmo que não tenha sido propositadamente pensada, ela acabou servindo, né? Serviu para mostrar que há um diálogo.
 
 
E como o PT está se articulando para a eleição de 2020? Há possibilidade de candidatura própria em Osasco?
Acho que dificilmente o PT não tenha um candidato próprio em Osasco. Agora, quem vai ser ainda não está muito definido. É claro que se o Emidio quiser ser candidato, ele vai ser o candidato. Agora, depende muito dele e de como ele vai conduzir isso. O perfil, o tamanho, a força da candidatura vai depender muito mais dele do que de outras pessoas.

 
O senhor falou em renovação. O PT, em Osasco, tem se renovado?
Estamos fazendo um esforço, já temos um grupo grande pessoas novas. Porque a renovação não significa ser só por idade.  Temos um grupo grande de filiados. Agora mesmo, nesse último mês, fizemos em torno de mil filiações novas. Várias pessoas se filiando, inclusive com propósito de serem candidatos. Então, estamos com uma nova safra chegando.

 
Haddad é o novo PT?
O Haddad tem traços do novo PT. É uma pessoa de esquerda, mas não é sectário.  Consegue pensar as coisas mais simples para as pessoas, mas as coisas complexas para a sociedade. Tanto em economia, como social, etc. Então, ele carrega aspectos de novidade.

 
Nesse seu diagnóstico da situação atual de Osasco, como o senhor analisa as outras forças políticas, na perspectiva do cenário de 2020?
Vejo que em Osasco, hoje, existem três forças mais relevantes. Temos a força da máquina, temos o PT e temos o aparecimento da figura do Dr Lindoso. Depois, tem outras que não são irrelevantes, mas nesse momento não têm nem a organização política e nem densidade eleitoral suficiente para ombrear com esses outros três. Temos o caso do Dr Alexandre Bussab, o Ralfi. O próprio PSOL tem força na cidade. E inclusive no mundo de hoje, da comunicação instantânea, de uma semana para outra pode aparecer um fenômeno aqui e ganhar a eleição. Na última eleição para governador, em vários momentos nós observamos isso. O candidato de Santa Catarina foi um fenômeno, do Amazonas foi um fenômeno. Em vários locais tivemos fenômenos assim. Pode aparecer.
 
 
E pode existir a possibilidade dessas forças se aglutinarem para virem como oposição da máquina antes do segundo turno?
Acho que toda força que a gente conseguir agregar vale a pena. O que Osasco padece, nesse momento, é de uma liderança forte. Osasco sempre produziu grandes líderes no Estado e País. Se pegar, por exemplo, o primeiro prefeito de Osasco, Hirante Sanazar, ele foi vereador da Capital, veio para cá e virou prefeito, e ele era uma figura política importante e reconhecida aqui na Grande SP e até no Estado. Depois o prefeito Guaçu Piteri ele foi importante. Ele foi a maior liderança do Estado no final da ditadura contra o Maluf. Depois o ex-prefeito Francisco Rossi quase foi governador e teve quase 8 milhões de votos. Disputou voto a voto com o Mário Covas. Depois o prórpio Emidio uma figura relevante no cenário político do Estado. Foi presidente estadual do partido. O Celso Giglio foi presidente da Associção Paulista de Municípios. Ser presidente dessa Associação tem que ter o mínimo de articulação. E a hoje nós não temos nada disso. Nós não temos uma liderança na cidade que seja capaz de levar a imagem do PT. Em muitos momentos tínhamos o prefeito indo falar com o vereador e o governador recebia exclusivamente o prefeito de Osasco, com toda a sua equipe, anotando os pedidos da cidade, atendia rapidamente, fazia uma interação forte. Hoje o prefeito nem recebido é. É recebido na antesala pelo vice do sub vice, então Osasco precisa recuperar isso. O prestígio político que sempre teve.

 
Você pensa em retomar a carreira política?
Não. Não penso. Eu estou feliz com o que estou fazendo. Depois de tudo o que aconteceu eu fiz faculdade de Direito, fiz OAB e passei, depois fiz pós-graduação, agora estou fazendo mestrado em Direito Constitucional no IPP, trabalho no escritório de advocacia lá, e estou mais ou menos satisfeito e feliz com esse momento que estou passando. Então não estou pensando não. O que eu quero é ajudar, Osasco precisa. Estou muito convencido que a cidade de Osasco, veja bem, vou citar duas ou três áreas: a área da Saúde. Está um caos a cidade. Só não vê quem não quer. Por que você não chama o doutor Cury, o doutor Dionísio Alvares Mateos, o doutor José Amando Mota, o Gelso? São pessoas que conviveram com momentos bons e ruins da Saúde. Por que não chama esse pessoal como em um fórum da saúde para discutir. É possível melhorar a Saúde de Osasco? Veja, o doutor Dionísio, ele serve para ser sercretário de Barueri, mas não serve para ser secretário de Osasco. O doutor José Amando Mota serve para atender na Poli Sul e não serve para ajudar a secretaria? O Gelso serve para ser sub prefeito de Casa Verde, mas não serve para discutir a saúde de Osasco? O doutor Cury foi quem inventou na década de 70 a Fusam junto com o prefeito Rossi, ele ter uma experiência assim que nem vou contar a história porque até me emociono. Por quê não chama esse pessoal para conversar? Quer ver outra área? Olha só: estão falando da terceira ponte para Osasco. Primeiro o absurdo da cidade de Osasco que é o único lugar no mundo que você tem a entrada da cidade pela esquerda. Tenta pesquisar no google. Bom, vão fazer outra ponte. O  problema de desafogar lá é a Avenida Maria Campos. Daí o que acontece? Faz a terceira ponte e jogam todo o trânsito da terceira ponte onde? Na avenida Maria Campos. O que vai adiantar? Então nós precisávamos juntar umas cinco ou seis pessoas boas de planejamento urbano na cidade, Associação dos Engenheiros e Arquitetos, Associação Comercial, alguns empreeiteiros que tem feito grandes investimentos. Vamos pensar uma nova mobilidade para a cidade de Osasco. Tem que ter a terceira ponte? Tem, mas não pode jogar na Maria Campos, tem que pensar mais para lá. Ou na Marechal Rondon, ou na Ester Rombenso, ou então na Praça 31 de Março para você desafogar o trânsito daqui. Outra coisa: Osasco precisa fazer um replanejamento de indústria. Não naqueles moldes que a gente imaginava, que vinha cinco mil operários, mas porque não podemos ter polos para planejamento industrial pensar em atrair pequenas indústrias. E porque a gente não chama a Comunidade Armênia, a Associação Comercial, os grandes empresários? O que temos visto nos últimos anos é que cada semana temos um novo zoneamento da cidade. Toda semana tem. Por que não tem um programa grande sobre isso? Eu fico preocupado com essas coisas. A minha ideia, como não sou candidato a nada, não quero ser e não possuo cargo nenhum, é ver se eu ajuda a gente a fazer um programa com todas as pessoas da cidade que querem pensar Osasco a partir de 2021. E Osasco, a partir de 2021, não cabe no perfil da atual gestão. Tem que ser outra gestão.
 
 
Mas a atual administração não nasceu com essa proposta de juntar vários políticos e ideias em um único projeto?
Infelizmente não fez nada disso né?

 
O PT já conversa com outros partidos para possível aliança?
O partido nessa eleição vai ser muito importante, mas menos importante do que nas eleições anteriores porque não tem coligação e cada partido tem que fazer a sua chapa e atingir o cociente eleitoral é mais difícil. Aos mesmo tempo vai ser bom porque o partido que montar uma própria chapa tem chance de eleger vereador pela nova regra. O PT tem conversado com várias pessoas. O Emidio tem conversado. Eu tenho conversado. Ainda não há uma coisa que poderia citar nomes. Mas estamos conversando com bastante gente e acho que vai surgir coisas boas por aí.

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