Quarta-Feira, 13 de Novembro de 2019

Esportes


23/08/2019 - 00:00 - Atualizado em 23/08/2019 - 00:00

"Seleção é algo difícil, mas não impossível", diz goleira do Audax Osasco

Por Francisco Rossi Junior / esportes@webdiario.com.br
Osasco

KAREN (goleira do Audax Osasco)

KAREN (goleira do Audax Osasco) (Foto: Caio Henrique)
Karen Hyppolito, goleira de 1,78 de altura, 67 quilos e 26 anos, chegou em 2019 no Audax Osasco, onde foi campeã dos Jogos Regionais (sem sofrer gols). Também tem passagens por Portuguesa, Centro Olímpico, São Bernardo, Audax Corinthians, Coritiba/Cataratas de Fox e Atlético Nacional da Colômbia, no futebol de campo. E Inácio Monteiro e F.C. Cover no futsal.
 
Você começou no futsal. Como foi a transição para o campo?
Comecei jogando futsal no projeto Inácio Monteiro, lá em Itaquera, zona leste de São Paulo. Participamos do Campeonato Paulista de 2010 e acabamos fazendo a final contra Portuguesa e isso abriu portas pra mim. E em 2011 estava fazendo testes na própria Portuguesa, já para o campo. Este projeto em Itaquera, que é a minha região, existe para incentivar a nós mulheres a praticarmos esporte. Hoje o mercado está em uma crescente, mas naquela época não tinha tanto. Então foi uma oportunidade que acabei aproveitando para iniciar a minha carreira.

Até quando você conciliou o futsal com o futebol de campo?
Está adaptação campo e futsal foi bem interessante. Eu amava jogar futsal e quase não tinha embasamento do campo e no começo fiquei meio assustada, principalmente no primeiro ano, em 2011, quando defendi a camisa da Portuguesa. Então enquanto eu consegui dosar um pouco, durante a semana fazia os treinos do campo e no fim de semana jogava futsal. Só que depois começaram os campeonatos (no campo) aí ficou muito apertado então deixei o futsal de lado e acabei aprimorando o futebol de campo. Isso foi até 2015, mais ou menos. Tenho títulos pelo futsal, os quais tenho muito orgulho, pois este esporte era uma paixão, e para deixar de lado foi meio dolorido, mas depois que peguei esse amor pelo campo hoje não tem nem comparação.

Conte sobre a sua experiência no futebol colombiano?
Foi em 2018, tive o privilégio de defender a camisa do Atlético Nacional, um dos maiores clubes daquele país. Quando se fala Colômbia as pessoas se assustam, porém quando você chega lá é outra vida, outra história. No meu ponto de vista eles estão bem mais avançados do que nós. O apoio que eles dão para a modalidade, para as jogadoras, pouco se vê aqui. O Brasil precisa evoluir mais. E quando eu cheguei lá me assustei com o nível da competição e do profissionalismo. E foi muito gratificante chegar na final e uma coisa que me marca muito é que tanto na semifinal quanto na final tinha mais de 12 mil pessoas no estádio, isso aqui no Brasil você raramente vê isso. Lá eles acompanham o futebol feminino, a sua carreira, tanto é que quando eu saí da Colômbia, que eu não voltei, eles ficaram tristes, me mandando mensagem querendo saber por quê eu não tinha ficado por quê eu tinha saído. Consegui cativar um carinho da enorme da torcida e isso é gratificante demais. Em termos de estrutura, de campeonato, em termos de equipes a Colômbia está bem representada.
 
Qual a sua opinião sobre Pia Sundhage treinar a seleção brasileira feminina?
No meu ponto de vista a seleção realmente precisava de mudanças. Estava na hora de alguém acordar e falar que a seleção precisa voltar ao auge. A Pia está vindo para somar. Claro que terá dificuldades, pois temos grandes jogadoras tanto no Brasil quanto fora, ela terá bastante trabalho na seleção, mas creio que a renovação está por vir. Não adianta pressiona-la neste primeiro momento porque ela ainda está conhecendo as jogadoras, todo mundo, então não tem como cobra-la agora. É deixa-la trabalhar, pois vendo a história e o currículo dela se vê que é uma grande vencedora.
 
O que a vinda dela pode ajudar no futebol feminino? Você sente que o esporte está em uma crescente no Brasil?
Ela dá um ar de esperança, de renovação. Temos jogadoras muito boas que estão esperando uma oportunidade. Então creio que ela traz esse ar, porque ela é diferente, ela gosta de trabalhar, tem tudo para somar, com a vinda dela outras atletas vão começar a treinar e se dedicar mais para ter uma oportunidade na seleção.
 
Este momento do futebol feminino, pós Copa do Mundo, você acha que é só um momento, ou é algo que veio para ficar?
Se você me fizesse esta pergunta na Copa anterior eu responderia que era algo do momento, mas nesta Copa houve algo diferente. Algo que conseguiu comover não só a população, mas quem patrocina a modalidade. Hoje temos no Brasileiro a Uber patrocinando, está entrando outras marcas, não só nas equipes. Houve uma modificação e com isso só temos a ganhar. Tivemos a volta das grandes equipes de São Paulo e até do interior nos campeonatos, isso pra nós é gratificante. Mas é aquela coisa, precisamos continuar incentivando, trabalhando para que a modalidade cresça. Isso vem muito de nós, o que nós queremos, se a gente abraçar este projeto e se dedicar tenho certeza que grandes marcas olharam com outros olhos, a incentivar e investir mais, e a modalidade só têm a crescer com isso.

Seleção é um objetivo em sua carreira?
Com certeza. Nada na minha carreira foi fácil, passei por grandes dificuldades, então Seleção Brasileira eu vejo como algo difícil, mas não impossível. Estou trabalhando para alcançar este objetivo, mas o meu primeiro foco é aqui o Audax. Preciso ajudar a minha equipe, preciso me ajudar para depois pensar neste objetivo. Acredito que isto é consequência do meu trabalho que está sendo bem feito. Sei que tem outras pessoas olhando então é continuar trabalhando e focando no objetivo.

Em quais goleiros você se inspirou?
Inspirei-me bastante no Rogério Ceni, no Marcos, no Casillas, e na Colômbia tive o prazer de conhecer e treinar com o René Higuita. A humildade que ele trabalha e se dedica me motivou bastante e me fez crescer como atleta e como pessoa. Estes, portanto são meus espelhos.

Por que o gol?
Isso é interessante. Na verdade comecei jogando na defesa, porém em um jogo a nossa goleira acabou passando mal e eu falei que iria para o gol. Fui, acabei ficando e não saí mais.
 
 
 

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